SAÚDE RIBEIRINHA E O ENFRENTAMENTO À COVID EM AUTAZES-AM

por malucosems
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Autazes-AM é um município de quase 40 mil habitantes, localizado no estado do Amazonas, que tem como uma de suas características a presença de mais da metade da população residindo em área rural e ribeirinha. Com vasta extensão territorial e isolada dos centros urbanos, a cidade dependente de Manaus para o acesso da população a diversos serviços. Como no início da pandemia a capital do Estado atingiu um alto nível de transmissão da doença, levando ao esgotamento do sistema de saúde, a gestão municipal de Autazes investiu na fixação de postos de saúde flutuantes, oferecendo infraestrutura para que os profissionais permanecessem em áreas vulneráveis.


O vírus chegou nas regiões ribeirinhas na esteira do auxílio emergencial do governo federal. “No início, fizemos um trabalho de restrição do deslocamento da população, o que levou ao pequeno número de casos. Mas com o auxílio emergencial, os moradores de Autazes acabaram indo para as cidades e aumentou a incidência da doença”, relata a secretária municipal de saúde, Gigellis Duque Vilaça. Em Autazes, onde não há agências bancárias, quase 80% dos moradores dependem do Bolsa Família ou vivem da agricultura, da pecuária e da pesca.

Entre a zona rural e ribeirinha vivem aproximadamente 114 comunidades. Nem todas residem às margens do rio, fator que facilita o acesso aos profissionais que compõem as sete equipes de saúde da família que cobrem a região. Não é o caso dos ribeirinhos, que moram em sua maioria em casas precárias, isoladas territorialmente e sujeita às oscilações do rio. Dependendo da enchente ou da vazante do rio, a população tem que deixar as moradias. “Implantamos os pontos de apoio onde vivem as pessoas na beira do rio e conseguimos os profissionais para atender nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) flutuantes. A ideia foi facilitar o acesso, independente das condições de mobilidade”, completou Gigellis.

A presença das equipes reduziu o agravamento do quadro de saúde provocado pela Covid-19. De acordo com a Gigellis, a situação melhorou bastante porque os profissionais de saúde cuidam e monitoram para garantir o tratamento completo até a alta e os agentes comunitários de saúde contribuem realizando o monitoramento dos casos sem agravamento nas residências. Pacientes que têm complicações pela doença ou outras comorbidades são removidos para a capital em ambulanchas. A distância entre Autazes e Manaus em linha reta é de 110 km e por via fluvial de 218 km. A viagem de barco de algumas localidades do município até Manaus pode durar cerca de seis dias.

Participação da população
A conscientização da população em relação à necessidade de isolamento também contribuiu para diminuir o grau de transmissão da doença. A própria comunidade se isolou e entre os povos indígenas, que representam 30% da população, foram criadas barreiras de contenção através de grandes troncos de árvores posicionados nos rios para ninguém entrar ou sair. Nas aldeias, cujo acesso é possível por via terrestre, eles controlavam a entrada e a saída de pessoas em porteiras vigiadas 24 horas por dia.


Entre os moradores ribeirinhos, a equipe de Atenção Básica montou uma espécie de “classificação de risco”, onde foram utilizadas pulseiras identificando as pessoas com diagnóstico confirmado, em quarentena e com a especificação da data necessária para se manter em casa. Os profissionais da assistência social montaram uma equipe para levar alimentos, máscaras e álcool às comunidades, já que até os comerciantes dependem da cidade para abastecer os mercados.


As UBS são casas flutuantes, compostas por consultório odontológico, consultório de enfermagem, sala de vacina e farmácia. De acordo com a secretária de saúde, uma delas foi inaugurada, duas estão prontas e outra se encontra em fase de conclusão. São as próprias Equipes de Saúde da Família (ESF), já instaladas na região, que oferecem o atendimento. Cada equipe é responsável por quatro pontos de apoio. Em Autazes foi montado ainda um Centro de Referência Covid em uma escola para receber as pessoas do interior com agravamento pela doença.


A presença dos profissionais de saúde se refletiu no bem estar dos ribeirinhos, independente da pandemia. Luciana vive com os filhos na comunidade do Rochedo, no interior de Autazes. Ela conta que antigamente no posto flutuante só havia um profissional. “Agora temos dois atendentes e a equipe do dentista, da enfermeira e da médica, que sempre está vindo para oferecer cuidado e vacinar nossas crianças. Nós, mulheres, temos acesso aos exames preventivos, que antes era uma dificuldade porque tínhamos que ir para a cidade”, comemora a moradora. E acrescenta: “o posto está bem equipado com medicação e somos gratos por não termos que nos deslocar daqui com nossos filhos para Manaus ou Autazes”.


A incidência de Covid-19 agora está mais controlada no município. O boletim epidemiológico do dia 14 de novembro registrou 1.423 casos confirmados, 1.358 curados, 37 óbitos e apenas duas pessoas internadas. “O fortalecimento da Atenção Básica foi muito importante para fazer o controle e o monitoramento necessários para não passar o vírus à população. Inicialmente se pensava apenas nos grandes centros, onde era oferecida assistência mais complexa, mas o investimento na AB mostrou que não é assim. Depois que organizamos o serviço não houve mais casos graves e conseguimos chegar à população que não tinha acesso. A pandemia comprovou que o SUS é fundamental”, reconhece a antiga secretária e atual Apoiadora Regional do Cosems-AM, Gigellis Vilaça.


A experiência representou o estado do Amazonas na sexta live da I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS. Confira:

https://www.youtube.com/watch?v=mGNnVlTQeFk&t=12s

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do COSEMS-AM